MENSAGEM DE UM EX-PRESIDENTE - Dr. JOAQUIM SAUL DE OLIVEIRA PASSOS
O CAB entrou efetivamente na minha vida em 1965, pelas mãos do Sr José Zapolla. De imediato senti a grandiosidade do patrimônio do clube, mas que na realidade prática de suas atividades, às vezes não tinha dinheiro nem para pagar a taza d'água.
Naquela época, corria pela cidade uma idéia : acabar com os 2 clubes da cidade e construir um estádio municipal. No local do campo do CAB, a área seria doada ao Estado para a construção de um Ginásio Estadual. Haveria um único clube de futebol.
Razões para isto não faltavam, diziam, "os dois campos nada tem para ser preservado, os muros estão caindo, as ripas apodrecendo, o gramado já não existe, nenhuma benfeitoria de monta existe e outras coisas mais".
Não concordamos. Para nós, o patrimônio do CAB era intocável. Se algo devesse ser feito, seria para o progresso e nunca para a extinção. Não poderíamos nunca esquecer o esforço dos que, no passado, lutaram para nos legar um patrimônio valioso :
Amando Santos, Eduardo Bravo, Encio e Tito Livio Ervas, Angelo Tornatore, Benedito Aleixo, José Zapolla, Calegari e quando outros que anonimamente sofreram por aderir ao CAB. Perguntem ao Paulo Braga.
Para afastar essas idéias, adotamos uma política de fazer vibrar o nosso clube com a formação de equipes de futebol poderosas, ativando-se também as equipes menores. Chegamos a ter 6 equipes movimentando mais de 120 atletas.
Um novo problema e grave estava por surgir. A cidade estava sendo asfaltada. Como o CAB pagaria a prefeitura? Lançamos então uma idéia arrojada. Lotear a Praça Lima Santos, transferindo-a para outro local, onde pudesse não só escapar dos encargos municipais,
mas também construir um poli espotivo. Entramos em negociações. No alto da cidade, 5 alqueires. Acharam muito longe. Outra área pertinho, no baliga, onde tinha água daria para a construção e também para um lago. (Na época, lancei um boletim. Alguém teria um?)
A Prefeitura prometeu ajuda com máquinas e pessoal, pois a ela também interessava. No aterro do lago seria feita a ligação da Vila Cristal com a hoje Vila Zanon. Também recusaram dizendo que queríamos levar o CAB para um buraco.
Tentamos enfim construir no próprio local o sonhado Poli-Esportivo. Vinte dias bastaram para que liquidassem uma idéia quase vitoriosa. Boatos maldosos, mentiras, injúrias e tudo o mais e por fim nos colocaram para fora do CAB.
Tudo isto se deu entre 65 e 68. Passado um ano, o CAB entrou em crise. De novo fomos chamados para presidí-lo.
Amargurado, mas sentindo que o clube corria sério risco, aceitamos voltar, assumindo o compromisso comigo próprio de lutar para a preservação do CAB.
Para valoriza-lo, iniciamos uma série de melhorias : o gramado foi reformado, traves de ferro, murros reparados, alambrados, arquibancadas cobertas, aumento dos vestiários, quadra iluminada, casa do zelador, etc., além de ativar novamente o time de futebol,
do mini-dente ao quadro titular. Tudo isto sem vender um centímetro de terra do CAB, contando com os esforços de abnegados bandeirantinos, que nos ajudaram a promover quermesses, 2 festas de cerveja, rodeios, bailes, etc. Lembro aqui a grande ajuda que nos prestam os Irmãos Aissa.
Após tudo isto, ficou bem mais dificil acabar com o CAB. Além do patrimônio valorizado, também tinha um nome respeitado na região.
Os anos foram passando com os mesmos problemas de sempre. Na condição de vereador, inumeral vezes requeremos ao Prefeito Municipal, a anistia do débito que por mim foi previsto e do qual procurei livrá-lo. Nada conseguimos. Veio 1974. Nossa praça foi penhorada pela Prefeitura.
Como advogado, constetamos a ação executiva alegando preceitos constitucionais e tributários. Tinhamos a certeza de que ganharíamos a parada. Mas não ficamos só nisto. Fomos à TV Tupi em São Paulo e o Estado inteiro pode ver o apelo que o Sr.
Valter Abrahão fez ao nosso então Prefeito Municipal para que perdoasse o débito do asfalto. O Estado todo ficou do nosso lado. A pressão contra o prefeito foi tanta que em novembro, e meses após a nossa ida a São Paulo, o Sr. Prefeito disse :
"Eu dou a anistia só sea Diretoria do CAB renunciar coletivamente". Não pensamos duas vezes. Era o que mais desejavamos. Saimos e a dívida foi perdoada. Podem dizer que foi um ato político, mas penso que foi um ato de amor ao clube.
O Poli-Esportivo foi construído, não por minhas mãos, mas Deus escreve certo por linhas tortas. A nossa idéia se concretizou, embora 15 anos mais tarde. Nós tínhamos razão. Como diz o caetano Jacob: "Você estava no Século 20". A semente era boa e tal germinou, nasceu e cresceu.
Lembrando um pouco o passado, entre alegrias e dissabores, gostaríamos de lembrar: as nossas quermesses, as duas festas da cerveja, o fogo nas barracas e nas redes, a minha prisão em sertãozinho, os nossos jogadores (Vitor, Waguinha, Zapolla, Nim, Carlito, Segura, Santão, Biba,
Pelezinho e muitos outros, os nossos torcedores principalmente Israel Ribas.
Nestes quase 10 anos que presidimos o CAB, muitas coisas aconteceram. Boas e más. Não nos arrependemos de ter passado tantas e tantas noites de frio na quermesse, dos dissabores e das tristezas. Valeu a pena tudo isto. Aos que não nos acreditaram, a nossa compreensão.
Aos que tentaram nos humilhar, o nosso poli-esportivo é a nossa resposta. Aos bandeirantinos que duvidaram por amor ao clube, estamos de braços abertos esperando que retornem de onde jamais deveriam terem se afastado.
A todos, unamo-nos para um Clube Atlético Bandeirante cada vez maior, e parabéns pelo cinquentenário de fundação.
Salve 1933. Salve 1983.
Ir.'. Prof. JOAQUIM SAUL DE OLIVEIRA PASSOS
PRESIDENTE 1965/1974